5 anos, 50% de tudo e uma nova fase

Lorhan Caproni • 22 de maio de 2020

Por Lorhan Caproni (cofundador Phomenta)

5 anos atrás eu e a Iza tomamos uma decisão que mudaria para sempre nossas vidas. Decidimos investir tudo, carreira, apartamento e relacionamento para construir a Phomenta. Se você me perguntar agora, não consigo lembrar de um momento exato em que tudo começou, só lembro da primeira vez que a Iza me apresentou a concepção da Phomenta, já com esse nome maravilhoso e a essência que ainda se mantém.

Quando decidimos colocar todas as nossas fichas, combinamos que seria temporário. Primeiro, para preservar nosso casamento. Mas nós sabíamos que isso ia acontecer. Nós chegamos a criar uma organização juntos na faculdade antes de mesmo de virarmos um casal (talvez o melhor resultado dessa organização tenha sido a gente virar um casal!). Sabíamos que tínhamos que construir algo juntos e que seria desafiador como casal, como ela escreveu muito bem aqui nas lições aprendidas.

Eu tinha a ideia fixa de transitar entre o impacto socioambiental e a tecnologia. Ela, entre o impacto socioambiental e a ciência. Combinamos que eu ficaria 4 anos e depois partiria para a segunda jornada, e que ela levaria a Phomenta a novos horizontes.

 A gente brinca que a Phomenta foi nossa primeira filha. Quantas madrugadas, quantas reuniões na cama, batalhas vencidas e perdidas, erros e acertos. Encontramos pessoas brilhantes e também nos decepcionamos com muita gente. Tínhamos dois elementos de maior dificuldade: 1) Empreender em casal joga o relacionamento para segundo plano e 2) Empreender no Brasil, em meio a uma crise financeira, na área de impacto social, sem ter um networking forte, e focados em trazer educação e inovação para as ONGs (que impedem nosso país de ser um caos ainda pior, mas vivem sob ataque), parecia um combo de dificuldades.

 Apesar de tudo isso, foi uma jornada fantástica. A cada agradecimento de uma ONG, a cada novo resultado, projeto de sucesso, uma vitória e um motivador que nos fazia ter a sensação de imbatíveis. Em 4 anos crescemos 12 vezes de tamanho. A nossa autocrítica sempre nos impediu de achar que o jogo estava ganho, muito pelo contrário, sempre encontrando em tudo uma forma de melhorar, entregar mais, ajudar mais e mostrar que ainda estávamos longe de onde poderíamos chegar.

A Phomenta ocupou 5 dos 10 anos em que eu a Iza estamos juntos. 50% de tudo.  E nos transformou como casal, como pessoas. Com a Iza aprendi um novo patamar de pensamento, de visão de vida, disciplina e forma de buscar os objetivos. Éramos aprendizes e professores um do outro e isso foi um grande diferencial, para a empresa e para nós como pessoas.

 

Em dezembro de 2019, eu saí oficialmente da Phomenta, como combinamos.   Foi uma transição suave, pensada há muito tempo e que me deixou orgulhoso do que vi e esperançoso que o que a Iza ainda iria construir. Ela me inspirou a seguir minha jornada de tecnologia na BotCity e colocar a mesma disciplina, coragem, perspicácia e foco para uma nova abordagem.

 

 

Hoje se completam 5 anos de Phomenta e 6 meses que eu saí. E assisti de camarote uma aula de liderança, estratégia e foco.   Em 6 meses, a Iza liderou um crescimento sem precendentes, dobrando a Phomenta de tamanho ampliando o impacto da de 200 para 500 ONGs e em questão de semanas tornou a Phomenta 100% digital, está expandindo para outros países e criou o Portal do Impacto, hoje uma referência em conteúdos e ferramentas para ajudar as ONGs a atravessarem essa fase terrível do Covid. Cara, que aula.

50% de tudo. A Phomenta ficou com 50% do casal e 100% de sua essência.   Fico de longe acompanhando, feliz por ter participado e me sentindo privilegiado por ter ajudado a construir algo que ajuda tanta gente ao lado de quem amo, aprendo e admiro tanto.

 

A Phomenta sempre vai fazer parte da minha história, e eu sigo agora com foco total na tecnologia. E por mais “diferente” que seja no mundo “corporativo”, vou sempre bater na tecla de que   navegar entre mundos e realidades diferentes é parte do que temos que fazer se quisermos avançar como seres humanos.

 


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